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sábado, 21 de Novembro de 2009

Poeira




Renasce a desilusão de não ver o sol
Caindo a tristeza do céu outra vez
Envolvendo no ambiente a dor do vento
Que recomeça a soprar


Sossegado estava o caminho
Ora antes caminhado
Mostrando agora somente terra
Onde antes era relvado


Já nem flores nele queria
Somente a morte da poeira
Que nos fere a visão
E nos tira a respiração


Mas sobram ainda forças
Para a água ir buscar
Para essa névoa escura
Podermos matar




Delfim Peixoto © ®

Cogumelos e Política



Não há dúvida! Há que ter muito cuidado com a apanha dos cogumelos, pois há os que são saudáveis e saborosos mas também há os que só se comem uma vez.
Ora, isto acontece também com os políticos e as políticas: parecem comestíveis, são atraentes, abrem o apetite e até fazem crescer água na boca. Porém, depois de “cozinhados”, verifica-se pelo sabor que são iguais.
Na questão da Educação, é o que acontece neste momento em Portugal. O Povo semeou uma nova “ seara”, mas as sementes sofreram uma mutação tal que creio não ser aconselhável colher os frutos pois podem ser fatais.
O PSD, no seu Programa eleitoral prometeu SUSPENDER a Avaliação dos professores, facto que não vem a acontecer juntando-se ao PS e ao Governo no “cozinhado” já cheio de bolor e acidez.
Assim, nas próximas sementeiras, não nos esqueçamos de escolher bem as sementes para podermos ter uma boa colheita.
Aqui para nós, já diz o velho ditado: Se colocares maçãs boas junto de uma podre, ficarás com uma taça de fruta estragada.


Delfim Peixoto © ®

quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

Sossego






São seguros os meus passos que atravessam essa ponte
Como certa a direcção que defino como destino
A visão atravessa esse limbo e nebuloso caminho
Mirando no horizonte o ponto de chegada


Abstraio-me do descanso oferecido
Prosseguindo nessa vontade decidida
Aceitando as luzes que me acompanham
E aquecem a solitária caminhada


O frio estala na face, arrepia a alma
Mas aquece-me o calor que me espera
Passada essa jornada


Já só me falta chegar
E no sossego me abraçar!




Delfim Peixoto © ®

terça-feira, 17 de Novembro de 2009

Desarrumado




Papeis rasgados, palavras desembrulhadas
Páginas arrancadas de um livro incompleto
Ideias soletradas em experiências vividas
Em memórias reais imortalizadas


Estrada sem Norte, rota indefinida
Caminhos incertos de destinos incógnitos
Direcções trocadas em encruzilhadas
Pavimento esburacado desequilibrado


Sons agudos dissonantes
Vontades em recomeço
Vestidas numa nova página
De branco pintado


Estou desentendido
Não me reconheço
Nessa estante arrumada
Onde os livros ganham pó
E não são lidos




Delfim Peixoto © ®

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Fenix





Arde a fé em esperanças amortalhadas
A força ainda flameja desmaiadamente
Mas crepita ainda a brasa
Do calor incendiado
Em toros secos outrora


Já não arde a fogueira com vigor,
Deixando o fumo chegar
Subindo devagar
Profetizando a morte
Das brasas o ardor


Mas a brisa vem, soprando devagar,
Dando o alento à lenha não ardida
Revigorando esse braseiro
Onde nos pudemos aquecer


Até o fogo morre
Se não for acarinhado
Como a tristeza que me percorre
Dessa paz podre cansado




Delfim Peixoto © ®

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

Dor da tempestade



Prefiro uma forte tempestade
Que uma suave bonança disfarçada
Assim como uma fraca verdade
A uma mentira encapuçada


Abomino falinhas mansas
Antes admiro uma discussão acesa
As primeiras são como lanças
Depois das dúvidas ter a certeza


É como querer beber água doce
Que no aspecto é igual
À água do mar salgada
Mas que nos cai tão mal


Antes ter uma forte dor
E saber de onde ela vem
Que viver no torpor
Sem saber que doença se tem


Delfim Peixoto © ®

Passarada


Na memória de um Povo
Fica bem alguma Cultura
Saber de quem veio o ovo
Ou quem vive da agricultura


Mas há alguns doutos senhores
Que esquecem de onde vão
E tornam-se quase reis de penhores
Sem saber de quem eles são


Outros há que estão lá em cima intocáveis
Sem se perceber como chegaram lá sem escada
Até parece que caíram do céu, ou galáxias indetectáveis
Ninguém os tira de lá, talvez por ser tarefa ruim e arriscada


Mas eu conheço uma maneira de o fazer
Deite-se o prédio abaixo de repente
Mas eles não o podem antes saber
Ainda apanham uma ave qualquer
E fogem à frente da gente


Delfim Peixoto © ®

A capital


Fui hoje à capital
E vim de lá cheio de dores
É uma confusão tal
Ver tantos mestres e doutores


E carros pretos a brilhar
Com polícia atrás deles
Parece que andam a roubar
Todos, alguns, aqueles


Não percebi mesmo nada
Foi ouvir tanto barulho
Todos a gritar:
“Tira do feijão o gorgulho”


Prefiro antes a minha aldeia
Com pacatez e sossego
Que terra assim tão feia
Onde todos têm medo



Delfim Peixoto © ®

Sapateiro



Há hortas naturais que dão legumes saborosos
Como há pomares tão antigos que os frutos são ansiados
Outras hortas se fazem em que numa semana legumes dão
Ou pomares artificiais que dão frutos sem sais


Eu prefiro os primeiros, com bichinhos pelo meio
Aos segundos que bonitos não trazem sabor
Antes burro preso sem freio
Que cavalo solto com dono ou senhor


Isto é complicado
Ser-se um bom sapateiro
E querer ser letrado
Perder a clientela e também o ordenado


Delfim Peixoto © ®